tatuagem
sobre
muro
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Marcas na superfície-limite do corpo coletivo.
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Me interesso por zonas-limites e interseções entre linguagens, e vejo no corpo um campo onde esses desdobramentos podem ocorrer de forma única. E nessa investigação me ocorreu o desenvolvimento de uma técnica que pudesse estreitar o paralelo entre o corpo individual e o corpo coletivo, através das marcas que neles se inserem.
A pele é a nossa fronteira mais íntima, aquela linha que divide o eu dos outros e por isso se torna a plataforma comunicativa mais básica aos humanos.
Da mesma forma muros e paredes de uma construção são as arestas que definem os limites daquele espaço, delimitando o que é público e o que é privado, o dentro e o fora, o nosso e o dos outros, noções que se tornaram intrínsecas a nossa construção social e cultural.
Tatuagem é a forma de se deixar marcas no corpo. Sinais indeléveis gravados com agulha e tinta sob a pele, que depois de ser ferida, cicatriza e se une às suas novas cores, deixando visível os sinais de sua transformação. Marcas de um indivíduo e de sua cultura, que permanecem através dos tempos,
Sobre o muro procedo da mesma maneira: abro uma ferida em sua materialidade criando linhas na superfície áspera do cimento.
• Um baixo relevo traçado com uma ponta de aço, em sucessivas batidas, até que dessas rupturas se forme a imagem.
• Adiciono o pigmento na mistura de cimento, e com essa massa “cicatrizo” o muro.
• Tapo suas feridas e reintegrando superfície, que já não é a mesma.
Após o ritual está ali gravado, visível, indelével na carne daquela construção, o sinal proposto ao espaço.
Módulo 1, 2020 (detalhe - processo)
Módulo 1, 2020 (detalhe)
Santinha, 2019 (detalhe)